Revista Verde
ISSN 1981-8203
Pombal, Paraíba, Brasil
v. 21, n.1, jan.-mar., p.17-23, 2026
doi: 10.18378/rvads.v21i1.12069
Logotipo CC BY

Desempenho de bioestimulante de algas marinhas Macrocystis sp. no crescimento e em componentes de produção da soja

Performance of the marine algae biostimulant Macrocystis sp. on soybean growth and production components

Francisco Neto dos Santos1; Edmilson Igor Bernardo Almeida2; Aldair de Souza Medeiros3*; Andreza Maciel de Sousa4; Katarina Lopes Moreira5; Jarlyson Brunno Costa Souza6; Washington da Silva Sousa7

1Graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Maranhão, Chapadinha. [email protected].
2Doutor em Agronomia e Professor Adjunto do Curso de Agronomia da Universidade Federal do Maranhão, Chapadinha. [email protected].
3Doutor em Agronomia e Professor Adjunto do Curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal do Piauí, Bom Jesus. [email protected].
4Doutoranda em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal do Ceará, Fortaleza. [email protected].
5Graduada em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal do Maranhão, Chapadinha. [email protected].
6Doutor em Agronomia pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, São Paulo. [email protected].
7Doutor em Física e Professor Adjunto do Curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Maranhão, Chapadinha. [email protected].
*Autor correspondente

Resumo

A sojicultura é uma atividade de relevante importância socioeconômica para o Brasil, contudo, a intensificação das práticas agrícolas para o incremento de produtividade pode resultar no uso excessivo de fertilizantes concentrados e agroquímicos sintéticos, que ocasionam negativos impactos ambientais. A utilização de insumos alternativos, como bioestimulantes extraídos de algas marinhas, tem colaborado para integração de práticas sustentáveis, especialmente no que concerne aos fatores nutricionais, regulação de estresses bióticos e abióticos. Objetivou-se analisar o efeito do bioestimulante de algas marinhas Macrocystis sp. sobre o crescimento e componentes de produção, em três cultivares de soja. A pesquisa foi realizada em três lavouras comerciais de soja, localizadas no estado do Maranhão, Brasil. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com 2 tratamentos e 9 repetições. Os tratamentos foram aplicados via foliar, no estádio V5. O primeiro tratamento consistiu na ausência de aplicação (testemunha), ao passo que o segundo, na presença do bioestimulante de algas marinhas. Foram analisadas, a altura de plantas; número de trifólios, ramos, nós e vagens; índices de clorofila a, b e total; índice vegetativo (NDVI) e a produtividade da soja. A aplicação de bioestimulante de algas marinhas Macrocystis sp., no estádio V5 e na dose de 750 mL ha-1, incrementou o número de ramos (33 a 40%), nós (9 a 36%), vagens (9 a 23%) e a produtividade da soja (10%), nas cultivares DM 82i78 IPRO e FTR 3191 IPRO. Para a cultivar BMX Domínio IPRO, o tratamento foi ineficiente, promovendo uma redução de porte, mas sem efeitos significativos sobre a melhoria da ramificação, número de vagens e produtividade. Os resultados demonstram que o uso de bioestimulantes na sojicultura apresenta respostas complexas, cujo genótipo é um fator determinante na eficiência e no rendimento final.

Palavras-chave: Glycine max. Cultivares de soja. Ramificação da soja. Regulador vegetal. Sustentabilidade.

Abstract

The soybean crop is an activity of significant socioeconomical importance for Brazil; however, the intensification of agricultural practices to increase productivity can lead to the excessive use of concentrated fertilizers and synthetic agrochemicals, which cause negative environmental impacts. The use of alternative inputs, such as biostimulants extracted from seaweeds, has contributed to the integration of sustainable practices, particularly regarding nutritional factors and the regulation of biotic and abiotic stresses. The objective was to analyze the effect of the Macrocystis sp. seaweed biostimulant on growth and production components in three soybean cultivars. The study was conducted on three commercial soybean fields located in the Maranhão state, Brazil. The experimental design was a randomized block design with 2 treatments and 9 replications. The treatments were applied via foliar spray at the V5 growth stage. The first treatment consisted in a no-treated (without seaweed application), while the second involved the application of biostimulant. The following parameters were analyzed: plant height; number of trifoliates, branches, nodes, and pods; chlorophyll a, b, and total indices; vegetative index (NDVI); and soybean yield. The seaweed biostimulant application of the Macrocystis sp., at the V5 stage and 750 mL ha⁻¹ dosage, increased the number of branches (33–40%), nodes (9–36%), pods (9–23%), and soybean yield (10%) in the DM 82i78 IPRO and FTR 3191 IPRO cultivars. The treatment was ineffective for BMX Domínio IPRO cultivar, causing a plant size reduction, but it not improved branching, number of pods, and yield. The results demonstrate that the use of seaweed biostimulant in soybean has complex responses. The genotype is a determinant factor in bioestimulant efficiency and soybean yield.

Keywords: Glycine max. Soybean cultivars. Soybean branching. Plant growth regulator. Sustainability.

Resume

El cultivo de soja es una actividad de importancia socioeconómica para Brasil; sin embargo, la intensificación de las prácticas agrícolas para el incremento de la productividad puede resultar en el uso excesivo de fertilizantes concentrados y agroquímicos sintéticos, que ocasionan impactos ambientales negativos. La utilización de insumos alternativos, como bioestimulantes extraídos de algas marinas, colabora para la integración de prácticas sostenibles, especialmente en lo que concierne a los factores nutricionales y a la regulación de estreses bióticos y abióticos. El objetivo fue analizar el efecto del bioestimulante de algas marinas Macrocystis sp. sobre el crecimiento y los componentes de producción en tres cultivares de soja. La investigación se realizó en tres cultivos comerciales de soja, localizados en el estado de Maranhão, Brasil. El diseño experimental fue de bloques al azar, con 2 tratamientos y 9 repeticiones. Los tratamientos se aplicaron por vía foliar en el estadio V5. El primer tratamiento consistió en la ausencia de aplicación (testigo), mientras que el segundo consistió en la presencia del bioestimulante de algas marinas. Se analizaron la altura de las plantas; el número de trifolios, ramas, nudos y vainas; los índices de clorofila a, b y total; el índice vegetativo (NDVI) y la productividad de la soja. La aplicación del bioestimulante de algas marinas Macrocystis sp., en el estadio V5 y en la dosis de 750 mL ha-1, incrementó el número de ramas (33 a 40%), nudos (9 a 36%), vainas (9 a 23%) y la productividad de la soja (10%) en los cultivares DM 82i78 IPRO y FTR 3191 IPRO. Para el cultivar BMX Domínio IPRO, el tratamiento fue ineficiente, promoviendo una reducción de tamaño, sin efectos significativos sobre la ramificación, el número de vainas y la productividad. Los resultados demuestran que el uso de bioestimulantes en el cultivo de soja presenta respuestas complejas, donde el genotipo es un factor determinante en la eficiencia y en el rendimiento final.

Palabras clave: Glycine max. Cultivares de soja. Ramificación de la soja. Regulador vegetal. Sostenibilidad.

INTRODUÇÃO

A soja (Glycine max L. Merrill) é uma das principais culturas agrícolas mundiais, devido ao seu alto potencial econômico, valor proteico, diversificado uso na alimentação humana e animal, importante fonte de matéria-prima industrial e ótima adaptação a diferentes condições edafoclimáticas (SILVA et al., 2025). Na safra 2024/25 a soja destacou-se como a sexta cultura agrícola mais cultivada no mundo, com uma produção de 421 milhões de toneladas. Neste cenário, o Brasil é o maior produtor mundial de soja com uma produção de 169,5 milhões de toneladas (DOHLMAN et al., 2025).

A investigação de alternativas que maximizem a produção sustentável de alimentos, sobretudo na sojicultura, é um dos tópicos mais relevantes no mundo na atualidade. No campo específico do cultivo de soja, pesquisas têm sido conduzidas para desenvolver cultivares eficientes e adaptadas a cada região (POUDEL et al., 2023), bem como, para analisar o desempenho de insumos que estimulam e potencializam o desenvolvimento vegetal sob diferentes condições de manejo (ABD GHANI et al., 2023; BAGALE, 2021). Dentre os principais componentes de produtividade da soja está a quantidade de vagens por planta, que é influenciada por processos fisiológicos ocorrentes ao longo do ciclo fenológico da cultura. Essas atividades são geralmente afetadas por fatores e estresses abióticos, especialmente relacionados às condições climáticas e ao manejo nutricional (SILVA; FAGAN, 2021).

O aumento de produtividade em cultivos de soja tem sido obtido pelo uso intensivo de fertilizantes concentrados e agroquímicos sintéticos, que podem causar negativos impactos ambientais, como a degradação biológica e eutrofização de recursos hídricos (WU et al., 2025). Em resposta a essas preocupações ambientais, existe a crescente demanda global pela adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, que preconizem os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) (BUENO et al., 2025; HAMZA et al., 2024).

Nesse contexto, a utilização de bioestimulantes a base de substâncias húmicas (ácidos húmicos e fúlvicos), extrato de microorganismos (extrato de levedura e bactérias como Bacillus), extratos vegetais (melaço de cana-de-açúcar) e extratos de algas marinhas (Ascophyllum sp., Ecklonia sp. e Kappaphycus sp.) vem sendo testada na produção de grãos em larga escala com o objetivo de maximizar a produtividade, reduzir estresses abióticos e mitigar o uso de insumos agressivos ao meio-ambiente (NUNES et al., 2025; ARSLANOĞLU, 2022).

No Brasil, os extratos de algas marinhas têm sido comercializados nas categorias de bioinsumos, fertilizantes organominerais e/ou reguladores vegetais (SIBLE et al., 2021; JULIA et al., 2020). São bioestimulantes metabólicos que agem no crescimento do sistema radicular, aumento da ramificação da parte aérea, mitigação a estresses abióticos, melhoria da floração, pegamento de vagens e/ou no aumento da eficiência nutricional da planta (IPARRAGUIRRE et al., 2023; SHARMA et al., 2022). Contudo, as respostas a estes estímulos podem ser complexas, pois dependem da dosagem utilizada, estádio fenológico da aplicação, extensão do ciclo fenológico da cultivar, condição fisiológica das plantas no momento da aplicação, fertilidade do solo e das condições climáticas da região de cultivo (EL BOUKHARI et al., 2020).

Apesar do promissor potencial dos bioestimulantes de algas marinhas na agricultura, há uma lacuna de estudos científicos sobre a utilização da espécie Macrocystis sp. e dos seus efeitos sobre o rendimento da soja, notadamente quando aplicado no estádio vegetativo para o aumento da ramificação e produção de vagens, importantes componentes de produtividade. Diante do exposto, a hipótese do presente estudo é que o uso de extrato de algas marinhas Macrocystis sp. melhora a ramificação da soja e aumenta a sua produtividade, quando aplicado no estádio vegetativo V5. Assim, objetivou-se analisar o crescimento e componentes de produção de diferentes cultivares de soja, sob a aplicação de um bioestimulante derivado de algas marinhas Macrocystis sp.

MATERIAL E MÉTODOS

Localização do estudo

A pesquisa foi realizada entre os meses de fevereiro e junho de 2023, em três lavouras comerciais de soja, localizadas nos municípios de Buriti (Área 1: 3°45'45.2"S 42°58'37.9"W), Brejo (Área 2: 3°38'12.1"S 42°53'42.2"W) e São Benedito do Rio Preto (Área 3: 3°17'00.8"S 43°28'30.2"W), mesorregião Leste do estado do Maranhão, Brasil (Figura 1).

Figura 1
Figura 1. Representação esquemática da localização e croqui experimental, em três lavouras comerciais de soja, situadas nos municípios de Buriti (A1), Brejo (A2) e São Benedito do Rio Preto (A3).

O clima dessa mesorregião é classificado como C2W2A'a', subúmido com temperatura média de 27 ºC e precipitação anual de 1.600 a 2.000 mm. As condições meteorológicas nas áreas experimentais 1, 2 e 3, abrangeram precipitações pluviométricas de 1.430, 1.612 e 1470 mm, e temperaturas médias de 26, 26 e 28 ºC, respectivamente. Os solos das áreas experimentais foram classificados como Argissolo Amarelo distrocoeso típico, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SANTOS et al., 2018). A análise química de solo, na profundidade de 0 a 20 cm, revelou os seguintes resultados para as áreas 1, 2 e 3, respectivamente: pH = 5,2; 4,8; 4,5; matéria orgânica (%) = 1,9; 1,8; 2,1; P (mg dm-3) = 22; 24; 22; SB (cmol dm-3) = 33,5; 43,9; 40,1; V (%) = 56; 54; 39.

Delineamento experimental

O delineamento experimental foi em arranjo de faixas, com 2 tratamentos e 9 repetições. Os tratamentos consistiram no controle (T1 – sem bioestimulante) e T2 – com bioestimulante. O bioestimulante utilizado foi um produto comercial constituído por 67,5 g L-1 de carbono orgânico total solúvel em água, extraído de algas marinhas Macrocystis sp.; 13,5 g L-1 de boro solúvel em água; 6,7 g L-1 de cobre solúvel em água; 20,2 g L-1 de zinco solúvel em água; 13,5 g L-1 manganês solúvel em água. O produto foi aplicado na extensão de 40 hectares, em pós-emergência da soja, no estádio fenológico V5, em dose única de 750 mL ha-1, conforme a recomendação do fabricante. As pulverizações foram realizadas com pulverizador terrestre, autopropelido, durante o período da manhã, sob uma velocidade de vento de 3 a 8 km h-1, temperatura de 25 a 30 °C e umidade relativa do ar de 70 a 90%, ambas monitoradas com termohigroanemômetro (Akrom Kr825) e seguindo as diretrizes da norma ISO 5682-1:1996.

As cultivares utilizadas nas áreas experimentais foram a BMX Domínio IPRO, ciclo precoce, plantada no dia 06/01/2023 (Experimento 1); DM 82i78 IPRO, ciclo precoce, plantada no dia 17/01/2023 (Experimento 2); e FTR 3191 IPRO, ciclo intermediário, plantada no dia 09/01/2023 (Experimento 3).

Variáveis analisadas

As avaliações foram realizadas aos 15 dias após a aplicação (DAA) e na colheita. Foram aferidas a altura de planta (cm), diâmetro do caule (mm), número de trifólios, número de ramos, índice de clorofila "a", "b" e total (aferido com clorofilômetro, modelo ClorofiLOG 2060®) e índice NDVI (Normalized Difference Vegetation Index – aferido com medidor óptico de luz ativa, modelo GreenSeeker®), número de nós e de vagens (aferidos por contagem) e produtividade da soja (estimada pela coleta de plantas e grãos numa área útil de 54 m² por tratamento e, posteriormente, extrapolada para kg ha-¹).

De forma complementar, foram realizadas capturas de imagens por satélite em diferentes fases fenológicas da soja, após a aplicação do bioestimulante. Para isso, utilizou-se o sensor Planetscop, com resolução espacial de 3 m x 3 m, e porcentagens de nebulosidade menores ou iguais a 30%. Em cada tratamento, selecionaram-se áreas úteis de aproximadamente 3,8 hectares, cujos resultados foram expressos em índice NDVI. Para a cultivar BMX Domínio IPRO (Fazenda 1) foram obtidas imagens de satélite, aos 38, 46, 61, 88 e 97 dias após à semeadura (DAS); na cultivar DM 82i78 IPRO (Fazenda 2), aos 35, 39, 50, 77, 85 e 97 DAS; e na cultivar FTR 3191 IPRO (Fazenda 3), aos 39, 46, 54, 88, 101, 112 e 116 DAS (Figura 2). As datas de coleta diferiram em virtude das condições de nebulosidade e disponibilidade de imagens e extensão do ciclo fenológico de cada cultivar analisada.

Figura 2
Figura 2. Dinâmica espaço-temporal de NDVI, através de imagens obtidas por satélite, sensor Planetscope, em diferentes tratamentos e dias após à semeadura da soja. 1A: Fazenda 1 (Buriti – MA), 1B: Fazenda 2 (Brejo – MA); 1C: Fazenda 3 (São Benedito do Rio Preto).

Análises estatísticas

Os dados foram submetidos ao teste de normalidade dos resíduos Shapiro-Wilk (p ≤ 0,05), análise de variância (Teste F) e, quando os contrastes entre as médias foram significativos (p ≤ 0,05), aplicou-se o teste Tukey HSD para comparações dos tratamentos. Os índices de vegetação, estimados em NDVI e obtidos por imagens de satélite, foram analisados por estatística descritiva. Para isto, utilizou-se o software QGIS 3.26.2.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Bioestimulante de algas marinhas Macrocytis sp. no estádio vegetativo da soja

O uso do bioestimulante de algas marinhas Macrocystis sp. apresentou efeito estatisticamente significativo (p ≤ 0,05) sobre a altura de planta nas cultivares DM 82i78 IPRO e FTR 3191 IPRO; e número de ramos vegetativos nas cultivares BMX Domínio IPRO e DM 82i78 IPRO. Por sua vez, o diâmetro do caule, número de trifólios e número de nós no estádio vegetativo não foram influenciados pelos tratamentos, aos 15 dias após aplicação (Tabela 1).

Tabela 1. Efeito do uso de bioestimulante de algas Macrocystis sp. sobre a altura de plantas (AP), diâmetro do caule (DC), número de trifólios (NT), número de ramos vegetativos (NRV) e número de nós no estádio vegetativo (NNV) em três cultivares de soja, aos 15 dias após a aplicação dos tratamentos.

Cultivar Tratamento AP DC NT NRV NNV
BMX Domínio IPRO Sem bioestimulante 29 5,2 8 9 b 9
Com bioestimulante 29 5,8 8 13 a 9
DM 82i78 IPRO Sem bioestimulante 29 b 4,7 9 8 b 9
Com bioestimulante 33 a 5,3 10 11 a 9
FTR 3191 IPRO Sem bioestimulante 28 b 4,9 9 8 9
Com bioestimulante 31 a 5,4 10 9 10
Letras minúsculas diferem entre si, na coluna, pelo teste Tukey HSD (p<0,05).

A aplicação do bioestimulante de algas marinhas Macrocystis sp. promoveu incrementos de 12% e 10% sobre a altura de planta nas cultivares DM 82i78 IPRO e FTR 3191 IPRO, bem como, aumentos de 31% e 27% sobre o número de ramos vegetativos nas cultivares BMX Domínio IPRO e DM 82i78 IPRO, aos 15 dias após a aplicação (Tabela 1). Esses resultados indicam que o produto permitiu melhorias no crescimento da cultivar DM 82i78 IPRO, tanto em altura quanto em ramificações, nos primeiros quinze dias após a aplicação. Contudo, para as cultivares FTR 3191 IPRO e BMX Domínio IPRO observou-se apenas um estímulo de crescimento, ou seja, apenas em altura ou em número de ramos (Tabela 1). Isso demonstra que pode haver distintas respostas para as diferentes cultivares de soja, quando submetidas a uma mesma dosagem (750 mL ha-1) e período de aplicação (estádio V5) do bioestimulante testado.

De acordo com Kurepa et al. (2019) e Buzzello et al. (2017), a ocorrência de distintas reações à aplicação de bioestimulantes podem estar relacionadas a mecanismos metabólicos e/ou morfogenéticos heterogêneos entre as cultivares, uma vez que estes produtos geralmente atuam no balanço hormonal da planta. Desse modo, as cultivares BMX Domínio IPRO e DM 82i78 IPRO foram as que mais expressaram os estímulos quanto à melhoria da ramificação, que é um dos objetivos almejados pelo uso de bioestimulantes de algas marinhas Macrocystis sp. As respostas mais rápidas obtidas com estes materiais, aos 15 dias após a aplicação, pode estar relacionada à precocidade de seus ciclos fenológicos e à relação com fatores abióticos (VASCONCELOS; FAGAN, 2022), como as condições climáticas e fertilidade do solo, que interferem diretamente no metabolismo vegetal.

Por outro lado, não foram evidenciados efeitos significativos do bioestimulante de algas marinhas Macrocystis sp. sobre os índices de clorofila "a", "b", total e o índice NDVI aos 15 DAA (Tabela 2).

Tabela 2. Efeito do uso de bioestimulante de algas Macrocystis sp. sobre os índices de clorofila a (clor a), clorofila b (clor b), clorofila total (clor t) e NDVI (estimado com GreenSeeker) em três cultivares de soja, aos 15 dias após a aplicação dos tratamentos.

Cultivar Tratamento Clor a Clor b Clor t NDVI
BMX Domínio IPRO Sem bioestimulante 26 9 35 0,8
Com bioestimulante 26 9 35 0,8
DM 82i78 IPRO Sem bioestimulante 24 7 31 0,8
Com bioestimulante 23 7 30 0,8
FTR 3191 IPRO Sem bioestimulante 23 6 29 0,8
Com bioestimulante 24 7 31 0,8

O índice de clorofila total apresentou uma amplitude de 29 a 35, enquanto o índice NDVI exibiu médias iguais a 0,8 para todas as cultivares testadas. Estes resultados se enquadram com os limites recomendados na literatura para o término do estádio vegetativo e início do estádio reprodutivo da soja, cujos valores de NDVI próximos a 1,0 indicam o fechamento de entrelinhas e uma adequada sanidade fisiológica das plantas (TAVARES et al., 2022; SHI et al., 2023).

Esta uniforme sanidade fisiológica dos dois tratamentos pode estar relacionada ao adequado suprimento de fatores climáticos e nutricionais, e ao manejo fitossanitário das cultivares de soja, em ambas as condições. Bem como, ao fato do bioestimulante não ocasionar um efeito expressivo sobre a condição nutricional do tratamento, aos 15 DAA. Portanto, a aplicação não resultou em efeitos significativos sobre os pigmentos fotossintéticos e o índice vegetativo NDVI. Estes resultados estão em consonância com outros estudos (REPKE et al., 2022; NOLI et al., 2021) em que foram testados extratos de algas marinhas e cujos efeitos não resultaram em resultados diretos sobre a condição nutricional da planta, mas sim, na regulação de estresses abióticos e da atividade hormonal; fatores que não obtiveram relação com essas variáveis estimadas aos 15 DAA, no presente estudo.

Bioestimulante de algas marinhas Macrocytis sp. no estádio reprodutivo da soja

As avaliações realizadas no estádio reprodutivo indicaram diferenças estatisticamente significativas para a altura de planta na cultivar BMX Domínio IPRO; número de ramos, nós, vagens e produtividade nas cultivares DM 82i78 IPRO e FTR 3191 IPRO (Tabela 3).

Tabela 3. Efeito do uso de bioestimulante de algas marinhas Macrocytis sp. sobre a altura de plantas (AP), número de ramos (NRR), número de nós (NNR), número de vagens (NV) e produtividade (PROD) em três cultivares de soja.

Cultivar Tratamento AP NRR NNR NV PROD
BMX Domínio IPRO Sem bioestimulante 75 a 2 17 35 77
Com bioestimulante 69 b 3 18 36 77
DM 82i78 IPRO Sem bioestimulante 24 3 b 18 b 33 b 70 b
Com bioestimulante 24 5 a 28 a 43 a 78 a
FTR 3191 IPRO Sem bioestimulante 23 4 b 29 b 42 b 54 b
Com bioestimulante 24 6 a 32 a 46 a 60 a
Letras minúsculas diferem entre si, na coluna, pelo teste Tukey HSD (p<0,05).

Nesse contexto, apenas a altura de planta da cultivar BMX Domínio IPRO foi influenciada pelo uso do bioestimulante, apresentando uma significativa redução de porte (p<0,05) em relação à testemunha (sem bioestimulante). Isto pode estar relacionado a uma maior sensibilidade desta cultivar à regulação hormonal hipoteticamente promovida pelo bioestimulante sobre a relação auxina-citocinina (RACHIDI et al., 2021), o que pode ter ocasionado um encurtamento do sistema radicular e, por conseguinte, do crescimento apical da soja (KUMARI et al., 2023). Salienta-se que a redução de porte não resultou em aumento da ramificação, portanto demonstrando uma ineficiência do produto com relação ao incremento do número de vagens e produtividade, os quais não diferiram estatisticamente da testemunha (sem aplicação).

Por sua vez, para as cultivares DM 82i78 IPRO e FTR 3191 IPRO observou-se um manejo mais eficiente, sendo estimados incrementos de 40% e 33% no número de ramos reprodutivos, que resultaram em aumentos de 36% e 9% no número de nós reprodutivos; 23% e 9% no número de vagens; e, por conseguinte, obtenção de maiores produtividades, com incrementos de 10%, respectivamente. Essas diferentes respostas em distintas cultivares de soja podem estar relacionadas a relação genótipo-ambiente e a fatores de atividade metabólica das cultivares sob diferentes condições (KAISER et al., 2025; ENGEL et al., 2023). Assim, é notório que haja investigações complementares na cultivar BMX Domínio IPRO, para estabelecer condições necessárias à melhoria da ramificação e da produtividade, pois neste material a redução de porte não culminou em resultados satisfatórios.

Monitoramento do efeito do uso de bioestimulante, através de imagens de satélite

Os padrões de NDVI registrados por imagens de satélite apresentaram variações entre os períodos de avaliação para as três cultivares analisadas, porém sem diferenças estatisticamente significativas (p>0,05). Inicialmente, observou-se um incremento de NDVI até valores próximos a 1,0, com decréscimos posteriores até valores próximos 0,0 (Figura 3).

Figura 3
Figura 3. Efeito do uso de bioestimulante sobre o índice NDVI, estimado através de imagens de satélite, em diferentes fases fenológicas da soja, nos experimentos 1 (Fig. A), 2 (Fig. B) e 3 (Fig. C), após a aplicação dos tratamentos (BMX Domínio IPRO, DM 82i78 IPRO e FTR 3191 IPRO).

Os incrementos de NDVI estão relacionados ao crescimento da soja e ao fechamento de entrelinhas, compreendidos entre os 38 a 61 dias após a semeadura (DAS) na cultivar BMX Domínio IPRO; 35 a 77 DAS na cultivar DM 82i78 IPRO; e 39 e 88 DAS na cultivar FTR 3191 IPRO. Em seguida, com a soja no estágio reprodutivo, há um decréscimo do índice NDVI relacionado às fases de senescência foliar e maturação de grãos.

A obtenção de resultados estatisticamente semelhantes nas três áreas experimentais pode estar relacionada à ausência de diferenças estatísticas em algumas variáveis de crescimento e nos índices de clorofila. Desse modo, o comportamento do índice de reflectância atesta a similaridade do vigor vegetativo do dossel em ambos os tratamentos e cultivares, quando comparado por imagens de satélite obtidas pelo sensor Planetscop.

CONCLUSÃO

A aplicação foliar do bioestimulante à base de Macrocystis sp. no estádio V5 altera a arquitetura da soja, promovendo maior ramificação e incrementa incremento de produtividade. A eficácia do produto, no entanto, é dependente do genótipo, apresentando viabilidade agronômica para as cultivares DM 82i78 IPRO e FTR 3191 IPRO, e ausência de resposta produtiva para a cultivar BMX Domínio IPRO.

REFERÊNCIAS

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