Saúde mental de músicos brasileiros e sua atividade profissional: entre a paixão e os desafios cotidianos
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbdgp.v14i3.12411Abstract
A música constitui importante manifestação cultural, artística, social e econômica, estando presente em diferentes dimensões da vida humana e contribuindo para a construção de identidades, vínculos sociais e experiências de pertencimento. Para além de sua dimensão artística, a música representa atividade profissional e fonte de subsistência para trabalhadores que desenvolvem suas atividades em diferentes contextos, incluindo apresentações, ensino, produção musical, eventos, projetos culturais e contratações públicas. Entretanto, a relação entre a paixão pela música e as condições concretas de exercício profissional pode envolver desafios relacionados à instabilidade financeira, irregularidade das oportunidades de trabalho, necessidade de múltiplas fontes de renda, pressão por desempenho, reconhecimento profissional e conciliação entre vida pessoal e atividade artística. Nesse contexto, a saúde mental dos músicos constitui importante questão de saúde do trabalhador e de políticas públicas. O presente estudo discute a relação entre atividade profissional de músicos brasileiros e sua saúde mental, considerando as condições de trabalho, a sustentabilidade econômica, o reconhecimento profissional e as oportunidades de inserção no mercado cultural. Busca-se, ainda, analisar de que maneira as políticas públicas de cultura e os mecanismos de contratação artística podem contribuir para a valorização do trabalho musical. Trata-se de pesquisa bibliográfica e documental, fundamentada na literatura científica sobre saúde mental e trabalho artístico e na análise da legislação brasileira relacionada à contratação de profissionais do setor artístico. A literatura evidencia que os músicos estão expostos a diferentes demandas ocupacionais, incluindo pressão por desempenho, competição, exposição pública, estresse, lesões relacionadas à atividade e instabilidade profissional. Conclui-se que a discussão sobre saúde mental dos músicos demanda uma perspectiva interdisciplinar que considere simultaneamente os aspectos subjetivos da experiência artística e as condições objetivas de trabalho, reconhecendo a importância de políticas culturais que conciliem os princípios da Administração Pública com a valorização dos profissionais da música.
