O protocolo spikes na comunicação de más notícias em saúde

Autores

Palavras-chave:

Comunicação em saúde, Revelação da verdade, Empatia, Educação médica, Bioética

Resumo

A competência de comunicação em saúde exigida para o cuidado está associada a melhores resultados e maiores índices de satisfação, em especial quando profissionais fornecem más notícias, que alteram negativamente a visão do paciente sobre seu futuro. O protocolo SPIKES, realizado em seis etapas, é abordagem didática relacionada ao câncer, mas tem sido usado em diversos cenários clínicos, como em doenças crônico-degenerativas e infertilidade, destacando o direito do paciente de não saber. Intervenções educacionais parecem eficazes para ensinar os educandos a lidar com esta competência. Identificar o papel do protocolo SPIKES na comunicação de más notícias em saúde. Busca bibliográfica de artigos em línguas inglesa ou portuguesa realizada no mês de agosto de 2023 nas bases eletrônicas de dados da literatura em saúde (MEDLINE e LILACS via BIREME, PUBMED, SciELO e SCOPUS), utilizando os termos “communication in health”, AND “breaking bad News” AND “SPIKES protocol”, sem limitação para o ano de publicação. De 175 artigos incialmente identificados foram selecionados 39, excluídos aqueles que não atendiam à pesquisa, permanecendo 19 que embasaram a revisão. O protocolo SPIKES é plataforma valiosa, cujos modelos de comunicação centrados nas preferências dos pacientes podem resultar em melhores resultados de tratamento. Comunicação de más notícias é tarefa difícil para profissionais de saúde, para a qual a educação médica oferece pouca preparação, pois as habilidades de comunicação não são parte essencial dos currículos. O protocolo SPIKES fornece mensagem clara e compreensível de acordo com as necessidades e desejos dos pacientes.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

José Marcos Girardi, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais

Doutorado em Saúde pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais. Hospital Universitário-Universidade Federal de Juiz de Fora; Sabin Ensino e Pesquisa, Juiz de Fora; Sabincor-Juiz de Fora-MG;Especialização em Preceptoria multiprofissional na área de saúde pela Faculdade Moinho dos ventos/PROADI-SUS/Ministério da Saúde

Beatriz Amélia Monteiro de Andrade, Faculdades Moinhos de Vento, PROADI/SUS/Ministério da Saúde

Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Barbacena (2002). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Saúde Materno-Infantil. Ginecologista e Obstetra pela Maternidade Odete Valadares-FHEMIG , com especialização em Medicina Fetal pelo Hospital das Clínicas da UFMG. Mestre em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da UFMG (2009). Médica do Serviço de Alto Risco da Maternidade Odete Valadares (FHEMIG) e do Hospital Vila da Serra. Professora do internato em Obstetrícia e Ginecologia da Facudade de Ciência Médica de Minas Gerais. Coordenadora da Residência Médica da Maternidade Odete Valadares – FHE. MIG

Flavio Rogerio de Carvalho Leao , Faculdades Moinhos de Vento, PROADI/SUS/Ministério da Saúde

Possui graduação em Psicologia pelo Centro Universitário Dr. Leão Sampaio (2021) e Administração pela Universidade Federal do Ceará (2012). Atualmente Psicólogo voluntário do Ambulatório da Dor e Cuidados Paliativos de Crato-CE, escriturário - Banco do Brasil, Administrador da AABB CRATO e AABB CAMPOS SALES-CE. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas e Empreendedorismo, bem como Psicologia Clínica e Paliativista. Especialização em Gestão e Docência do Ensino Superior pela Universidade Estácio de Sá, Gestão Empreendedora pelo Centro Universitário SENAC (2018) e Cuidados Paliativos pela Unyleya (2022).

Mairla Machado Protazio , Faculdade Moinhos de Vento / PROADI-SUS / Ministério da Saúde

Mestre em Psicologia Social e Institucional (UFRGS), Especialista em Álcool e outras drogas (UFBA) e Especialista em Gestão de Políticas de Saúde Informadas por Evidências (Sírio Libanês/PROADI-SUS). Atualmente trabalha como Analista de Projetos de Saúde Mental na ImpulsoGov. Trabalhou na Secretaria Municipal da Saúde de Aracaju atuando na gestão de políticas públicas de saúde mental e atenção psicossocial, como Apoiadora Institucional e na coordenação e implantação de novos serviços de saúde como o Plantão Psicológico (2021), Referências de Saúde Mental (2021), Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual da ONG CIRAS (2018) e Unidade de Acolhimento Adulto (2016). Redutora de Danos na Secretaria Municipal da Saúde de Aracaju (2011 a 2014) e Psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município da Barra dos Coqueiros/SE (2013).

Márcia Pedrosa de Oliveira, Faculdade Moinhos de Vento / PROADI-SUS / Ministério da Saúde

Possui graduação em medicina pela Universidade Gama Filho (1993). Atualmente é médica obstetra - Clínica da Mulher e da Criança e professora/preceptor da Faculdade Atenas.

Cristianne Soares Chaves , Faculdade Moinhos de Vento / PROADI-SUS / Ministério da Saúde

Possui graduação em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (1997). Atualmente é enfermeira - Secretaria de Saúde do Estado do Ceará e Secretaria de Saúde do município de Limoeiro do Norte. Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Estadual do Ceará e Doutora em Saúde Pública na Universidade de Ciências Empresariais-UCES-Buenos Aires-Argentina, como Reconhecimento de Título de Doutora em Saúde Coletiva pela UFRN. Atuando principalmente nos seguintes temas: educação em saúde, infecções sexualmente transmissíveis, imunização, epidemiologia e sistema de informação.

Referências

ALVES, C. G. B. et al. Strategies for communicating oral and oropharyngeal cancer diagnosis: why talk about it? Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology and Oral Radiology, v. 129, n. 4, p. 347–356, 2020.

ALVES, C. G. B. et al. Patient’s perceptions of oral and oropharyngeal cancer diagnosis disclosure: communication aspects based on SPIKES protocol. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology and Oral Radiology, v. 135, n. 4, p. 518–529, 2023.

AOUN, S. M. et al. Family carers’ experiences of receiving the news of a diagnosis of Motor Neurone Disease: A national survey. Journal of the Neurological Sciences, v. 372, p. 144–151, 2017.

BAILE, W. F. et al. SPIKES—A Six-Step Protocol for Delivering Bad News: Application to the Patient with Cancer. The Oncologist, v. 5, n. 4, p. 302–311, 2000.

BLOOM, J. R. et al. Prognostic disclosure in oncology - Current communication models: A scoping review. BMJ Supportive and Palliative Care, v. 12, n. 2, p. 167–177, 2022.

BUKOWSKI, H. et al. Medical student empathy and breaking bad news communication in a simulated consultation. Patient Education and Counseling, v. 105, n. 5, p. 1342–1345, 2022.

CARVALHO, M. D. S. DE. Comunicação de notícias difíceis na formação do estudante de Medicina: uma experiência utilizando o psicodrama. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 46, n. 1, p. 1–8, 2022.

Código de Ética Médica: Resolução CFM nº 2.217, de 27 de setembro de 2018, modificada pelas Resoluções nº 2.222/2018 e 2.226/2019

DE MEDEIROS NUNES PINHEIRO PEIXOTO, V. G.; DINIZ, R. V. Z.; DE OLIVEIRA GODEIRO, C. SPIKES-d: A proposal to adapt the SPIKES protocol to deliver the diagnosis of dementia. Dementia e Neuropsychologia, v. 14, n. 4, p. 333–339, 2020.

DUNAIEVSKA, O. V.; CHAIUK, T. A. Modifying “breaking bad news” communication: Cross-cultural and cognitive-semantic approaches. Academic Journal of Interdisciplinary Studies, v. 9, n. 2, p. 1–14, 2020.

FERREIRA DA SILVEIRA, F. J.; BOTELHO, C. C.; VALADÃO, C. C. Dando más notícias: A habilidade dos médicos em se comunicar com os pacientes. Sao Paulo Medical Journal, v. 135, n. 4, p. 323–331, 2017.

GALAL, S. M. et al. Training pharmacy students to deliver bad news using the SPIKES model. Currents in Pharmacy Teaching and Learning, v. 15, n. 3, p. 283–288, 2023.

LEONE, Daniela et al. Breaking bad news in assisted reproductive technology: a proposal for guidelines. Reproductive Health, [S.L.], v. 14, n. 1, p. 2-10, 20 jul. 2017. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1186/s12978-017-0350-1.

MAHENDIRAN, M. et al. Evaluating the Effectiveness of the SPIKES Model to Break Bad News – A Systematic Review. American Journal of Hospice and Palliative Medicine, v. 0, n. 0, p. 1–30, 2023.

MELNYK, BM; FINEOUT-OVERhHOLT, E. Evidence-Based Practice in Nursing & ealthcare. A Guide to Best Practice. Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins, Philadelphia, PA, USA, 2011.

MCCLUSKEY, L.; CASARETT, D.; SIDEROWF, A. Breaking the news: A survey of ALS patients and their caregivers. Amyotrophic Lateral Sclerosis and Other Motor Neuron Disorders, v. 5, n. 3, p. 131–135, 2004.

PEREIRA, C. R. et al. The P-A-C-I-E-N-T-E Protocol: An instrument for breaking bad news adapted to the Brazilian medical reality. Revista da Associacao Medica Brasileira, v. 63, n. 1, p. 43–49, 2017.

RASMUS, P. et al. Evaluation of emergency medical services staff knowledge in breaking bad news to patients. Journal of International Medical Research, v. 48, n. 6, 2020.

ROSENBERG, M B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Editora Agora, 2006.

SEIFART, C. et al. Breaking bad news-what patients want and what they get: Evaluating the SPIKES protocol in Germany. Annals of Oncology, v. 25, n. 3, p. 707–711, 2014.

SERVOTTE, J. C. et al. Efficacy of a short role-play training on breaking bad news in the emergency department. Western Journal of Emergency Medicine, v. 20, n. 6, p. 893–902, 2019.

SETUBAL, M. S. V. et al. Programa de treinamento para comunicação de más notícias baseado em revisão de vídeos e na estratégia SPIKES: O que pensam os residentes de perinatologia? Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetricia, v. 39, n. 10, p. 552–559, 2017.

SETUBAL, M. S. V. et al. Improving perinatology residents’ skills in breaking bad news: A randomized intervention study. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetricia, v. 40, n. 3, p. 137–146, 2018.

Downloads

Publicado

2024-02-09

Como Citar

Girardi, J. M., Andrade, B. A. M. de, Leao , F. R. de C., Protazio , M. M., Oliveira, M. P. de, & Chaves , C. S. (2024). O protocolo spikes na comunicação de más notícias em saúde. Revista Brasileira De Educação E Saúde, 14(1), 142–150. Recuperado de https://www.gvaa.com.br/revista/index.php/REBES/article/view/10218

Edição

Seção

Artigos