Análise da incidência de casos de meningite no Estado do Pará em 2015/2019.

Palavras-chave: Meninges, sistemas de informação em saúde, atenção primária a saúde, infectologia.

Resumo

A meningite é um processo inflamatório das meninges causada por diversos agentes etiológicos, sendo considerada uma doença com sazonalidade no Brasil e com taxa de letalidade elevada na região norte. Sendo assim, é fundamental investigar qualquer paciente que apresente sintomas sugestivos, como as principais manifestações: febre e alterações neurológicas. O objetivo do estudo é identificar e analisar a incidência dos casos de meningite no Estado do Pará. Trata-se de um estudo transversal e retrospectivo com dados obtidos por meio de consulta ao Banco de Dados Eletrônico do SUS, o qual foi avaliado a etiologia, evolução, sexo, raça e local de notificação da doença. Foi observado uma diminuição nos casos de meningite em 2019 se comparado a 2015, apresentando agentes etiológicos bacterianos como a principal causa de meningite nos dois períodos e a maior prevalência dos casos na faixa etária de 20-39 anos. Além disso, o sexo masculino e pessoas de raça parda continuaram liderando o número de casos nos períodos analisados, tendo como predominância a região metropolitana de Belém e zonas urbanas. Em números absolutos, houve uma redução das mortes, porém é notável um possível aumento de subnotificações devido a inadequação do preenchimento de fichas de notificação. Por fim, faz-se necessária a melhor capacitação de profissionais da saúde para a caracterização e acompanhamento dos casos, a fim de diminuir incidência e mortalidade dos pacientes por meio de políticas públicas eficazes no combate a meningite.

Biografia do Autor

Matheus Alencar de Lima Jorge, Universidade do Estado do Pará
Estudante do sexto ano de Medicina da Universidade do Estado do Pará
Renan Corrêa da Costa Duarte, Universidade do Estado do Pará
Estudante do sexto ano do curso de medicina da Universidade do Estado do Pará
Francisco Xavier Palheta Neto, Universidade do Estado do Pará/ Universidade Federal do Estado do Pará
Médico Otorrinolaringologista, Professor da Universidade do Estado do Pará e Universidade Federal do Estado do Pará

Referências

AGUIAR FILHO, P. L. R.; MONTEIRO, S. G. Perfil epidemiológico do surto de doença meningocócica na regional de saúde de Balsas-MA, 2012. Rev. Investig, Bioméd, São Luís, v. 1, p. 64-75, 2015.

ALVES, M. M. et al. Meningites bacterianas. Revista Enfermagem e Saúde Coletiva-REVESC, v. 2, n. 1, 2017.

ANDRADE, C. H. S. et al. “Análise da incidência de Meningite Meningocócica em todas as faixas etárias antes e após a implantação da vacina meningocócica C (conjugada) no estado do Pará”. Brazilian Journal of Health Review, vol. 3, no 4, p. 8650–62, 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia e Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: Volume 1. 1 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de vigilância epidemiológica. Guia de Bolso: Doenças Infecciosas e Parasitarias. 8 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde. Informe Técnico: Campanha Nacional de Multivacinação para Atualização da Caderneta de Vacinação da Criança e do Adolescente. Disponível em: <http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2016-09/informe-tecnico-campanha- multivacinacao-2016.pdf>. Acesso em: 02 de Junho de 2020.

BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2010: características da população e dos domicílios. Rio de Janeiro: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, 2011. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/93/cd_2010_caracteristicas_populacao_ domicilios.pdf. Acesso em: 02 de Junho de 2020.

BRASIL. Portaria no 204, de 17 de fevereiro de 2016. Define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional, nos termos do anexo, e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil; Seção 1:23.

DIAS, F. C. F. et al. Meningite: aspectos epidemiológicos da doença na região norte do brasil. Rev Patol Tocantins, v. 4, n. 2, p. 46-49, 2017.

FAUCI, A. S. et al. Harrison: medicina interna. 17 ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill; 2013. 2v.

FOCACCIA, R. (ed). Veronesi: Tratado de Infectologia. 5. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2015. 2489 p.

FONTES, F. L. L. Aspectos epidemiológicos da meningite no estado do Piauí: 2007 a 2017. ReonFacema, v. 4, n. 3, p. 1302-1309, 2018.

FRANCO, A. C. B. F. et al. Comparação da pesquisa de enterovírus no liquor com um Escore de Meningite Bacteriana em crianças. Einstein, v. 15, n. 2, p. 167-172, 2017.

GARCIA, M. L. et al. Meningite tuberculosa: perfil epidemiológico no brasil, no Ceará e no Cariri entre 2007 e 2015. Rev e-ciênc, v. 4, n. 1, p. 61-67, out 2016.

GOMES, L. S. et al. “Aspectos epidemiológicos das meningites virais no estado do Piauí no período de 2007 a 2017”. Revista Eletrônica Acervo Saúde, vol. 11, no 10, p. e433, 2019.

GRANDO, I. M. et al. Impacto da vacina pneumocócica conjugada 10valente na meningite pneumocócica em crianças com até dois anos de idade no Brasil. Cad Saúde Pública, v. 31, n. 2, p. 1-9, 2015.

LEÃO, R. N. Q. (ed). Medicina Tropical e Infectologia na Amazônia. Belém: Samauma Editorial, 2013. 1762 p.

MACHADO DE ALMEIDA, B. M. et al. Interpretando o líquor – como dados epidemiológicos podem ajudar no raciocínio clínico. Rev. Med. UFPR, v. 3, n. 1, p. 13-18, 2016.

MADHI, S. A. Vacina pneumocócica conjugada e variação da epidemiologia da meningite bacteriana infantil. J Pediatr, v. 92, n. 2, p. 108-110, 2015.

OLIVEIRA, D. S. Distribuição de meningite pneumocócica no Brasil e distribuição e análise espacial de meningite pneumocócica no Estado de São Paulo, no período pré (2005 a 2009) e pós-vacinação infantil (2011 a 2013). Tese (Doutorado – Faculdade de Medicina da USP). Universidade de São Paulo, 2017.

RIBEIRO, V. H. O. Meningite viral: aspectos clínicos e epidemiológicos de casos suspeitos atendidos em hospital de referência do Estado da Bahia (Brasil). Tese (Monografia - Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Bahia). Universidade Federal da Bahia, 2015.

RODRIGUES, E. M. B. Meningite: perfil epidemiológico da doença no brasil nos anos de 2007 a 2013. Tese (Monografia - Curso de Bacharelado em Biomedicina). Centro Universitário de Brasília, 2015.

SARAIVA M. G. G. et al. Epidemiology of infectious meningitis in the State of Amazonas, Brazil. Rev Soc Bras Med Trop, v. 48, n. 1, p. 79-86, 2015.

SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Meningite – Casos confirmados notificados no sistema de informação de agravos de notificação (2015). Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinannet/meningite/bases/meninbrnet.def. Acesso em: 02 de Junho de 2020.

SOUSA, E. G. D. et al. Meningite aguda bacteriana na população infantojuvenil: principais agentes e métodos para diagnóstico – uma revisão da literatura. Rev Bras de Neur, v. 52, n. 3, p. 34-36, jul-set 2016.

Publicado
2021-09-09
Como Citar
Jorge, M. A. de L., Duarte, R. C. da C., & Neto, F. X. P. (2021). Análise da incidência de casos de meningite no Estado do Pará em 2015/2019. Revista Brasileira De Educação E Saúde, 11(2), 244-251. https://doi.org/10.18378/rebes.v11i2.8415
Seção
Artigos