Gentrificação e direito à moradia: constitucionalização e conflito social

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18378/rbfh.v15i1.12028

Palavras-chave:

Gentrificação; Direito à Moradia; Conflito Social.

Resumo

Este artigo analisa a gentrificação sob o enfoque da constitucionalização do direito à moradia e da teoria do conflito social. A pesquisa aborda a problemática da tensão entre a positivação da moradia como direito fundamental, essencial à dignidade humana nos cenários nacional e internacional, e a lógica mercantil do desenvolvimento urbano que fomenta a exclusão. Interpretada como um campo de disputas socioespaciais, a gentrificação revela o antagonismo entre o capital imobiliário, o Estado e as populações vulneráveis, resultando em deslocamento forçado e violações de direitos. O estudo demonstra que o fenômeno representa uma violação direta ao núcleo essencial dos direitos sociais, desafiando a efetividade constitucional e levando à judicialização dos conflitos urbanos. Conclui-se que a superação desse desafio exige a articulação de políticas públicas, instrumentos urbanísticos e governança inclusiva para transformar o direito à moradia de um ideal normativo em uma realidade concreta.

Referências

ALEXY, R. Teoria dos direitos fundamentais. 2. ed. Tradução de Virgilio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008.

BARCELLOS, A. P. de. A eficácia jurídica dos princípios constitucionais: o princípio da dignidade da pessoa humana. Rio de Janeiro: Renovar, 2014.

BIDOU-ZACHARIASEN, C. (org.). De volta à cidade: dos processos de gentrificação às políticas de "revitalização" dos centros urbanos. São Paulo: Annablume, 2006.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 jul. 2001.

CANOTILHO, J. J. G. Direito constitucional e teoria da constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2003.

ENGELS, F. A questão da habitação. São Paulo: Boitempo, 2015.

HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005.

HARVEY, D. Cidades rebeldes: do direito à cidade à revolução urbana. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

HONNETH, A. Luta por Reconhecimento: A Gramática Moral dos Conflitos Sociais. São Paulo: Editora 34, 2003.

LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001.

MARINO, A.; LINS, R. D.; ROLNIK, R. Experiências de mapeamento das remoções e ameaças de remoção na região metropolitana de São Paulo. In: LINS, R. D.; ROLNIK, R. (org.). Observatório de Remoções 2017-2018: relatório bianual. São Paulo: FAU USP, 2018. p. 13-42.

MARX, K. Capital. New York: International Publishers, 1967.

MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Boitempo, 1989.

MENDES, L. O retorno da cidade ao centro: gentrificação e turistificação em Lisboa. Finisterra, v. 53, n. 109, p. 89-114, 2018.

NAÇÕES UNIDAS. Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Nova York: ONU, 1966.

POULANTZAS, N. O Estado, o poder, o socialismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.

RODRIGUES, A. M. Moradia nas Cidades Brasileiras. 10. ed. São Paulo: Contexto, 2017.

ROLNIK, R. Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo: Boitempo, 2015.

SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2008.

SARLET, I. W. A eficácia dos direitos fundamentais. 9. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009.

SARLET, I. W.; FIGUEREDO, M. F. O direito fundamental à proteção e promoção da saúde na ordem jurídico-constitucional: uma visão geral sobre o sistema (público e privado). Revista Gestão e Controle, 2013.

SARMENTO, D. O mínimo existencial. Revista de Direito da Cidade, v. 8, n. 4, p. 1644-1689, 2016.

SIMMEL, G. La lucha. In: Sociología: estudios sobre las formas de socialización. 2. ed. Madrid: Biblioteca de la Revista de Occidente, 1977. v. 1, p. 265-355.

SMITH, N. Gentrificação, a fronteira e a reestruturação do espaço urbano. GEOUSP - Espaço e Tempo, n. 21, p. 15-31, 2007.

SMITH, N. The new urban frontier: gentrification and the revanchist city. London: Routledge, 1996.

TORRES, R. L. A metamorfose dos direitos sociais em mínimo existencial. In: SARLET, I. W. (org.). Direitos fundamentais sociais: estudos de direito constitucional, internacional e comparado. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.

UNITED NATIONS. Universal Declaration of Human Rights. Paris: United Nations, 1948.

WACQUANT, L. Ressituando a gentrificação: a classe popular, a ciência e o Estado na pesquisa urbana recente. Caderno CRH, Salvador, v. 23, n. 58, p. 51-58, 2010.

WANDERLEY, M. U. "A gente é gente!": acesso à justiça no conflito por moradia na comunidade do Jacó (Natal/RN). 2022. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2022.

Downloads

Publicado

2026-02-18

Como Citar

Anese, A. C. S. (2026). Gentrificação e direito à moradia: constitucionalização e conflito social. Revista Brasileira De Filosofia E História, 15(1), 2643–2653. https://doi.org/10.18378/rbfh.v15i1.12028

Artigos Semelhantes

<< < 37 38 39 40 41 42 43 44 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.