Análise da situação de saúde de pacientes domiciliados com necessidade de atenção especial
DOI:
https://doi.org/10.18378/rebes.v15i3.11608Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Visita Domiciliar, Necessidades Especiais, Qualidade de VidaResumo
Objetivou-se analisar a situação de saúde dos pacientes acamados que necessitam de atenção domiciliar no município de Assunção, Paraíba, a partir da caracterização sociodemográfica e clínica da população assistida, das barreiras enfrentadas para o acesso à saúde e da percepção sobre a qualidade do atendimento e da própria qualidade de vida. Tratou-se de um estudo observacional, descritivo, com abordagem qualitativa e quantitativa. Os dados foram obtidos por meio de prontuários médicos, entrevistas semiestruturadas e questionários estruturados aplicados aos pacientes e familiares vinculados à Unidade Básica de Saúde Francisco Pereira. A amostra foi composta por 23 pacientes acamados, selecionados com base em critérios de elegibilidade definidos pelo Instrumento de Avaliação de Complexidade da Atenção Domiciliar (IAEC-AD). As variáveis consideradas incluíram dados clínico-demográficos, vulnerabilidade social e percepção de qualidade de vida. Os dados foram tratados estatisticamente por meio do software SPSS v. 20 e os resultados revelaram a predominância de indivíduos do sexo masculino (65,2%), casados, com idade entre 84 e 89 anos, baixa escolaridade e renda de até um salário-mínimo. As comorbidades mais frequentes foram hipertensão (34,8%) e demência (30,4%). Todos os pacientes recebiam cuidados familiares e 69,6% avaliavam positivamente o serviço de atenção domiciliar. No entanto, 34,8% deles relataram ter uma percepção ruim da qualidade de vida, e a aplicação da Escala de Coelho e Savassi identificou vulnerabilidade familiar máxima (R3 — risco máximo), com escore igual ou superior a 8, revelando a complexidade do cuidado domiciliar. Porém, a baixa frequência de internações recentes sugere a eficácia do modelo assistencial adotado. Os achados reafirmam a importância da atenção domiciliar como estratégia de desospitalização e de cuidado humanizado, principalmente em contextos de alta vulnerabilidade social. No entanto, a sobrecarga dos cuidadores familiares, a escassez de suporte multiprofissional e a precariedade estrutural dos serviços limitam a efetividade dessa modalidade de atenção.
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