Participação das mulheres na atividade da apicultura no Cariri Paraibano

Autores

  • Maria Luiza Oliveira Ramos UFCG Universidade Federal de Campina Grande
  • Juliana Oliveira Ramos UFCG Universidade Federal de Campina Grande
  • Robymar da Silva Nascimento UFCG Universidade Federal de Campina Grande
  • Camily Witória Silva Bezerra Universidade Federal de Campina Grande PPGGSA - CCTA - UFCG - Pombal - PB
  • Thiago Kauã Raimundo da Silva
  • Ivson de Sousa Barbosa UFCG Universidade Federal de Campina Grande
  • José Ilton Pereira Alves Universidade Federal de Campina Grande PPGGSA - CCTA - UFCG - Pombal - PB
  • Rogerio Andrade Emidio UFCG Universidade Federal de Campina Grande
  • Adriana de Fátima Meira Vital UFCG Universidade Federal de Campina Grande

Palavras-chave:

genero, Atividade apícola, Mulheres, Gênero, Cariri paraibano

Resumo

A apicultura, a arte de criar abelhas, é cada vez mais reconhecida como uma forma acessível de agricultura que proporciona uma série de benefícios econômicos, sociais e ambientais para as comunidades rurais em diversos países do mundo, sobretudo naqueles de baixa e média renda. No mundo inteiro a participação das mulheres na atividade apícola vem crescendo de forma constante, impulsionada pelo seu potencial de empoderamento econômico, especialmente nas áreas rurais, e pelos esforços de organizações internacionais e nacionais, que têm oferecido treinamento e recursos. A apicultura oferece uma atividade agrícola menos exigente fisicamente, permitindo a integração na agricultura existente e proporcionando renda, maior segurança alimentar e benefícios ambientais, como o aumento do rendimento das culturas através da polinização e a conservação dos solos. A criação de grupos focados na presença feminina, como cooperativas e associações é crucial e ajuda a enfrentar barreiras como o desconforto em ambientes dominados pelos homens, permitindo que as mulheres construam confiança e aproveitem diferentes estilos de comunicação para apoio mútuo e sucesso. Dentre as estrategias exitosas da apicultura, pode-se destacar a maior segurança financeira e uma melhoria nas relações familiares, o acesso a recursos, incluindo capital financeiro e equipamentos, além de proporcionar às uma plataforma para gerar conscientização sobre questões de gênero, incluindo a valorização e saúde da mulher. No estado da Paraíba, o setor apícola tem grande destaque e vem se consolidando no Cariri paraibano, ganhando cada vez mais evidência na região. Entre os praticantes dessa atividade, as mulheres têm ocupado lugar relevante, desempenhando um papel fundamental no crescimento e fortalecimento dessa prática. Sua dedicação e conhecimento têm sido essenciais para a produção de mel e derivados, consolidando-as como protagonistas no desenvolvimento da apicultura no estado da Paraíba. Mas, apesar do potencial para proporcionar fontes alternativas de renda para as mulheres rurais, há escassez de informações sobre a presença e os fatores que limitam a participação das mulheres na apicultura. Este estudo buscou identificar a participação das mulheres na apicultura no Cariri paraibano, destacando suas características e práticas de trabalho e foi realizado por meio de busca ativa, junto às secretarias de agricultora e órgãos de extensão, para realização de entrevista. Foram localizadas e entrevistadas apicultoras dos municípios de São José dos Cordeiros, Sumé, Zabelê, Serra Branca. A faixa etária das participantes é de 20 a 41 anos, com escolaridade que vai do Fundamental I a Pós Graduação e residência principal em áreas rurais. Segundo relatos das entrevistadas, a apicultura se expressa como uma alternativa econômica e, em alguns casos, como uma atividade que proporciona prazer pessoal e conexão com o campo. A maioria das apicultoras é incentivada por familiares, como pais e cônjuges, e as relações familiares desempenham um papel importante na continuidade e no fortalecimento da prática apícola. As apicultoras compartilham a realização das diversas etapas da produção, como o manejo das colmeias, coleta e extração do mel, beneficiamento e comercialização, geralmente em colaboração com seus familiares. Esse formato de trabalho coletivo fortalece a dinâmica familiar e facilita a divisão das responsabilidades. Além disso, algumas apicultoras se envolvem em grupos da associação local, especialmente durante os períodos de colheita. Embora a maioria se sinta reconhecida localmente, seja por participar de eventos ou pela valorização social, há uma percepção comum de que a apicultura carece de apoio econômico e institucional adequado. Duas das entrevistadas disseram ter deixado a atividade por falta de tempo e apoio, revelando que havia poucos incentivos para investir mais tempo ou recursos na apicultura, pois nem sempre recebiam benefícios financeiros por seu envolvimento. O trabalho feminino na atividade apícola tem contribuído para a sustentabilidade da atividade na região, refletindo o papel essencial das mulheres no desenvolvimento da agricultura familiar e na preservação ambiental no Cariri paraibano. De maneira geral, o estudo constatou que as mulheres estão ainda sub representadas em todo o setor formal da apicultura na região e que, apesar das dificuldades enfrentadas, a apicultura ainda movimenta os esforços das mulheres, evidenciando sua determinação e fortalecendo o protagonismo que inspira novas gerações, mas revelou também que o apoio e orientação adequados e contínuos, treinamento inclusivo de gênero são mecanismos cruciais para garantir que as mulheres se beneficiem da renda derivada da apicultura e que sua presença seja cada vez mais evidenciada e referenciada, melhorando as abordagens equitativas de gênero na atividade, a fim de aumentar a capacidade das mulheres de se beneficiarem da participação em empreendimentos apícolas.

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Publicado

2025-08-17

Como Citar

Ramos, M. L. O., Ramos, J. O., Nascimento, R. da S., Bezerra, C. W. S., Silva, T. K. R. da, Barbosa, I. de S., … Vital, A. de F. M. (2025). Participação das mulheres na atividade da apicultura no Cariri Paraibano. Caderno Verde De Agroecologia E Desenvolvimento Sustentável, 14(3). Recuperado de https://www.gvaa.com.br/revista/index.php/CVADS/article/view/11557

Edição

Seção

XV Festival do Mel de Sao Jose dos Cordeiros (18,19 e 20 de Setembro de 2025)

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