Educar como ato de esperança: humanismo e dignidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18378/rbfh.v15i1.12016

Palavras-chave:

Alfabetização, Grande imprensa, Nordeste

Resumo

O Nordeste é visualizado pelo resto do Brasil, e até mesmo pelo mundo, como um espaço a ser superado. Analfabetismo, machismo e secas são palavras que definem os moradores e a região que teima em permanecer atrasada na corrida pelo desenvolvimento social e econômico. O Nordeste das artes dá voz ao cangaço, messianismo e coronelismo promovendo filmes, músicas e teatros sobre um espaço de saudade, onde a mudança é negada pela tradição do Nordeste açucareiro. Lampião, Antônio Conselheiro e coronéis ainda assombram os sertões sobre a paisagem das secas dos séculos passados que reduzem o Nordeste a uma região definida por cactos, casas de taipas, carro de boi, sol escaldante e pessoas esqueléticas. Nesse redemoinho de representações e imagens, a figura do analfabeto ganha visibilidade e é fartamente noticiada pela grande imprensa como uma estratégia de continuidade desse Nordeste imutável que não consegue aprender a ler ou a contar. O analfabeto agora pode ser romanceado ou superado pela força de vontade de nordestinos que ousaram romper a “tradição de seus ancestrais” em permanecerem analfabetos e suprimidos ao trabalho braçal. A notícia de nordestinos que romperam “o véu” do analfabetismo é recorrente nas páginas de jornais e noticiadas pela imprensa televisiva incentivando aos leitores e aos telespectadores a superarem as dificuldades e vencerem também, através do estudo e educação, ou seja: se eles podem nós também podemos. A pandemia de 2020 também foi uma tragédia social que ampliou o fosso entre eles (sul e sudeste brasileiro) e nós (Norte e Nordeste) dando visibilidade à estrutura defeituosa que não ajudava em nada os nordestinos a afastar, definitivamente, o fantasma secular do analfabetismo do Nordeste. Apesar das dificuldades e da ausência de um Estado eficaz, os grupos que ficaram de gerir a educação a distância no Nordeste fizeram o possível para alfabetizar e dá continuidade à educação dos nordestinos.

Biografia do Autor

José Roberto da Silva, Universidade Católica do Rio Grande do Norte - UniCatólica

 

Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Pernambuco com linha de pesquisa Campo Religioso Brasileiro, Cultura e Sociedade (2025). Mestre em Ciências Teológicas - Universidad Evangélica del Paraguay (2011). Especialização em filosofia pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (1997), Especialização (lato Sensu) em Espiritualidade Franciscana, área de Humanidade e Artes (2022), graduação em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (1996), graduação em CURSO SUPERIOR DE INICIAÇÃO TEOLÓGICA - Diocese de Mossoró - Centro Pastoral de Ciências Religiosas (1997) e Atualmente é Professor nas escolas da rede municipal e estadual: Escola Municipal de Ensino Fundamental Maurício Fernandes da Silva (Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer - Mossoró/RN) , Escola Estadual Professor Abel Freire Coelho (Secretaria da Educação e da Cultura) e professor da Universidade Católica do Rio Grande do Norte - UniCatólica. Tem experiência na área de História, com ênfase em História da Igreja

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Publicado

2026-02-15

Como Citar

Silva, J. R. da. (2026). Educar como ato de esperança: humanismo e dignidade. Revista Brasileira De Filosofia E História, 15(1), 2618–2630. https://doi.org/10.18378/rbfh.v15i1.12016

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