Judicialização da ira e justiça restaurativa: Uma leitura sloterdijkiana do direito como técnica de sublimação das paixões
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbfh.v15i3.12298Resumen
O presente artigo analisa a judicialização da ira e a Justiça Restaurativa a partir da filosofia de Peter Sloterdijk, especialmente da obra Ira e Tempo, buscando compreender o papel do direito como técnica de administração e sublimação das paixões sociais. O objetivo consiste em investigar em que medida o conceito de "economia da ira" pode fundamentar uma crítica ao modelo retributivo de justiça e oferecer suporte teórico à Justiça Restaurativa como paradigma voltado ao reconhecimento e à reconstrução dos vínculos sociais. Trata-se de pesquisa de natureza qualitativa, desenvolvida mediante método dedutivo, com abordagem filosófico-hermenêutica e procedimentos de revisão bibliográfica, centrados na análise da obra de Sloterdijk e de literatura especializada em Filosofia do Direito e Justiça Restaurativa. Os resultados evidenciam que o direito contemporâneo exerce função de canalização institucional da ira coletiva, convertendo impulsos de vingança em mecanismos jurídicos de punição, mas também tende a reproduzir a lógica do ressentimento característica do modelo retributivo. Conclui-se que a Justiça Restaurativa representa uma alternativa capaz de ressignificar essa dinâmica ao privilegiar o diálogo, a responsabilização, a reparação dos danos e o reconhecimento mútuo, promovendo uma forma de justiça voltada à pacificação social e à transformação construtiva dos conflitos.
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