Governo das condutas, gozo e mal-estar: Psicanálise em diálogo com Michel Foucault
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbfh.v14i4.11899Resumo
O presente artigo propõe uma análise dos fenômenos políticos contemporâneos a partir do eixo foucaultiano da subjetivação, em diálogo com a psicanálise freudo-lacaniana. Parte-se da premissa de que a política não se restringe à organização institucional do poder, mas incide diretamente sobre os modos de vida, os afetos e a constituição do sujeito. A partir da noção de governo das condutas e do conceito de poder pastoral, investiga-se como determinados discursos políticos operam como dispositivos de gestão do mal-estar, oferecendo respostas imaginárias ao desamparo estrutural por meio da exaltação da autoridade, da promessa de segurança e da construção de pertencimentos identitários. Em diálogo com Freud e Lacan, argumenta-se que tais dispositivos produzem efeitos éticos e clínicos relevantes, ao capturar o desejo e organizar o gozo sob a forma da alienação subjetiva e da exclusão da diferença. O artigo sustenta que a psicanálise não pode se pretender apolítica, uma vez que opera no interior do campo simbólico, inevitavelmente atravessado por relações de poder. Conclui-se que a clínica psicanalítica pode comparecer como espaço privilegiado de escuta e de resistência ética frente às formas contemporâneas de captura subjetiva.
Palavras-chave: Subjetivação. Poder. Psicanálise. Política. Mal-Estar.
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