Educação em saúde como estratégia de prevenção de doenças crônicas: uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.18378/rebes.v16i1.11947Resumo
As doenças crônicas não transmissíveis possuem elevada carga de morbimortalidade e repercutem diretamente na utilização de serviços, na incapacidade e nos custos evitáveis, o que muda o foco do cuidado para estratégias preventivas sustentadas ao longo do tempo. Nesse cenário, a educação em saúde possui relevância por favorecer autonomia, autocuidado e adesão a práticas protetivas, além de apoiar mudanças de comportamento relacionadas a alimentação, atividade física e monitoramento de sinais de agravamento. Nessa ótica, este artigo teve como objetivo sintetizar evidências recentes sobre a educação em saúde como estratégia de prevenção de doenças crônicas, identificando modalidades de intervenção, componentes educativos recorrentes, desfechos avaliados e tendências de efetividade em diferentes contextos assistenciais e comunitários. Para tanto, trata-se de uma revisão integrativa, com recorte temporal de janeiro de 2021 a dezembro de 2025, conduzida por busca sistematizada em bases internacionais e regionais, com inclusão de estudos empíricos e, de forma complementar, revisões diretamente pertinentes ao tema. Foram elegíveis intervenções em que a educação em saúde figurasse como componente estruturante, em modalidades presenciais, remotas ou híbridas, voltadas à prevenção ou ao controle de fatores de risco cardiometabólicos. A extração foi realizada por instrumento padronizado, com síntese narrativa organizada por modalidade de entrega, foco preventivo e tipo de desfecho. Após tal método, os resultados indicaram predominância de ensaios clínicos e estudos quase-experimentais em diabetes, pré-diabetes e síndrome metabólica, com evidências de melhora em marcadores clínicos e comportamentais quando a educação foi associada a acompanhamento, técnicas de mudança de comportamento e estratégias de reforço. Bem como, intervenções mediadas por telefone, SMS, aplicativos e plataformas mHealth mostraram potencial para ampliar alcance e continuidade do cuidado, com efeitos positivos em autocuidado, atividade física, peso e indicadores metabólicos em parte dos estudos. Em consonância, a variabilidade de adesão e a heterogeneidade de resultados em desfechos alimentares explicam a necessidade de intervenções mais bem descritas, com avaliação de engajamento, sustentabilidade e efetividade em longo prazo.
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