Comportamento de consumo e a visão de consumidores sobre o mel de abelha no território do Cariri Paraibano
Palabras clave:
Apicultura, Comercialização, atividade apicolaResumen
O mel é o principal produto da apicultura, sendo o resultado do processamento do néctar e da seiva pelas abelhas e do seu armazenamento nas células das colmeias. O mel é principalmente alimento para as abelhas, e apenas o que é extraído é utilizado na alimentação humana e, por vezes, reintroduzido como alimento para as abelhas, mas é popular entre os consumidores por sua composição e propriedades alimentícias e curativas. Embora o mel seja o produto mais conhecido da apicultura, existem também vários outros produtos apícolas, como cera de abelha, pólen, geleia real e própolis. A apicultura condiz com o tripé da sustentabilidade: o social, o econômico e o ambiental, por apoiar a geração de emprego e renda, especialmente aos agricultores familiares, proporcionando bem estar e desenvolvimento das pessoas do campo, ajudando a fomentar o polo de desenvolvimento local. Para além disso, a atividade contribui para o equilíbrio do ecossistema e manutenção da biodiversidade. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) os países em desenvolvimento lideram o consumo de mel. Em 2024, o Brasil produziu 61 milhões de quilos de mel, destacando-se como um dos maiores produtores mundiais. O Piauí é o maior produtor regional, com destaque para o município de Conceição do Canindé, que possui uma alta produção per capita. A produção de mel no Nordeste brasileiro é uma importante atividade na complementação da renda dos pequenos produtores rurais, principalmente no Semiárido, onde se concentra a produção. A produção de mel é uma atividade que vem crescendo na Paraíba, devido a sua viabilidade operacional e econômica, mesmo em regiões semiáridas, por propiciar um bom retorno econômico, além de apresentar grande mercado. O Estado produziu 364.192 kg de mel em 2021, com um valor de produção de R$ 7.697.000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado ocupa posição de destaque na produção de mel na região Nordeste. A produção de mel na Paraíba em 2024 tem se destacado, com eventos como o Festival do Mel em São José dos Cordeiros, que celebram a tradição apícola local e atraem turistas. O estado também está recebendo investimentos para estruturar a cadeia produtiva do mel, visando o desenvolvimento sustentável do semiárido paraibano. Diversas pesquisas enfatizam que o mel pode ser considerado um superalimento associado a várias propriedades benéficas para a saúde, possuindo nutrientes valiosos, tais como aminoácidos fisiologicamente significativos e substâncias bioativas, como vitaminas, fenóis, flavonóides, ácidos graxos e ácidos orgânicos, que influenciam seu valor nutricional e suas propriedades promotoras da saúde. Essas propriedades terapêuticas e nutricionais são um apelo ao consumo. De maneira geral os produtos apícolas, reconhecidamente benéficos para a saúde humana, são bem conhecidos, todavia, alguns consumidores preferem comprar e consumir o mel devido às suas funções alimentares, que são principalmente energéticas. O objetivo deste estudo foi examinar a intenção e verificar a visão dos consumidores sobre a atividade melífera e as diferenças nas preferências por mel. O estudo baseia-se em dados primários obtidos por meio de uma pesquisa online com uma amostra de 150 pessoas dos municípios da região do Cariri no estado da Paraíba, sendo 73% do sexo feminino e 27% masculino. Desses, 87% disseram consumir mel frequentemente, contra 13%. A razão de consumo do mel é como alimento (44%), remédio (45%) e ambos (11%). Os consumidores entrevistados têm uma visão positiva da apicultura e dos seus produtos, especialmente do mel. Muitos consideram o mel um produto saudável e saboroso, preferindo comprá-lo diretamente dos apicultores (72%), em feiras livres (17%), lojas de produtos naturais (14%), supermercados (13%) e farmácias (7%). Para saber se os consumidores valorizam a qualidade, a origem (especialmente local ou regional) foi perguntado se costumam ler os rótulos das embalagens de mel e apenas 37% dos entrevistados afirmaram que têm essa preocupação. O fator de importância no uso do mel é in natura (53%) processado (24%), os demais entrevistados não tem preferência (10%) ou não soube responder (13%). Os resultados apresentados podem inspirar os produtores locais, gestores e técnicos a buscar oportunidades para otimizar a atividade de modo a estimular o comportamento de compra dos consumidores.
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