Governança criminal, fragilidade estatal e securitização nas fronteiras amazônicas brasileiras
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbdgp.v14i2.12156Resumo
O presente artigo analisa como a fragilidade da presença estatal nas fronteiras amazônicas brasileiras favorece a consolidação de formas de governança criminal associadas ao crime organizado transnacional. A partir de abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise teórico-conceitual, o estudo mobiliza os debates sobre governança criminal, fragilidade estatal e securitização para compreender as dinâmicas contemporâneas das fronteiras amazônicas. Os resultados indicam que a combinação entre extensa faixa territorial, predominância de vias fluviais, baixa densidade institucional e dificuldades históricas de integração estatal amplia vulnerabilidades relacionadas ao narcotráfico, ao garimpo ilegal, ao tráfico de armas e a outros crimes transnacionais. Nesse contexto, organizações criminosas exploram fragilidades estruturais e constroem redes adaptativas que articulam diferentes modalidades ilícitas em escala regional e internacional. O artigo demonstra, ainda, que a crescente associação entre fronteiras amazônicas e ilícitos transnacionais contribuiu para ampliar processos de securitização, fortalecendo políticas de monitoramento territorial. Conclui-se que o enfrentamento do crime organizado transnacional exige abordagens integradas que articulem segurança pública, fortalecimento institucional e desenvolvimento regional.
