Eficiência jurisdicional e educação jurídica cidadã como respostas institucionais
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbdgp.v14i2.12176Resumen
O artigo investiga o tempo processual como dimensão da justiça constitucional, partindo do problema de compreender em que medida a demora excessiva compromete a efetividade dos direitos e quais consequências jurídicas decorrem quando a prestação jurisdicional chega tarde demais para proteger o bem discutido. O objetivo é analisar a duração razoável do processo, o dano temporal, a vulnerabilidade dos litigantes e as respostas institucionais voltadas à eficiência da jurisdição e à educação jurídica cidadã. A metodologia adotada é bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa e método dedutivo, a partir do exame de normas constitucionais e infraconstitucionais, atos do Conselho Nacional de Justiça, doutrina processual e precedentes relacionados à responsabilidade estatal pela demora judicial. O trabalho organiza-se em duas seções: a primeira examina o tempo processual como garantia constitucional e desenvolve a noção de dano temporal, distinguindo-o de outras espécies de dano e evidenciando seus efeitos sobre direitos sensíveis; a segunda trata das respostas institucionais, com ênfase na eficiência jurisdicional, no uso de precedentes, na gestão por dados, em medidas de organização interna e na educação jurídica cidadã como estratégia preventiva. Conclui-se que a morosidade pode esvaziar a utilidade prática da tutela jurisdicional e produzir prejuízos autônomos, especialmente em demandas que envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade. Por isso, a proteção do tempo processual exige tanto reconhecimento dogmático do dano temporal quanto políticas institucionais capazes de reduzir atrasos sem sacrificar garantias processuais.
