Aspectos históricos da apicultura no Brasil: do período colonial à contemporaneidade

Autores

  • Nicolle Borba Maracaja Rodrigues Gomes Universidade do Waykato
  • Maria do Carmo Borba de Oliveira Meliponicultora
  • Maristela de Fátima Simplicio de Santana INSA - Instituto Nacional do Semiarido
  • Ricardo da Cunha Correia Lima INSA - Instituto Nacional do Semiarido
  • Rossino Ramos de Almeida Universidade Federal de Campina Grande PPGGSA - CCTA - UFCG - Pombal - PB
  • Aline Carla de Medeiros GVAA - Grupo Verde de Agroecologia e Abelhas https://orcid.org/0000-0002-0161-3541
  • Camila Vieira de Sousa Gurjao
  • Ana Paula Silva dos Santos INSA - Instituto Nacional do Semiarido
  • Aline Pacheco Albuquerque INSA - Instituto Nacional do Semiarido
  • Cristina Fernandes Cavalcanti Palma INSA - Instituto Nacional do Semiarido
  • Patricio Borges Maracaja INSA - Instituto Nacional do Semiarido - Campina Grande - PB - Brasil

Palavras-chave:

Apis mellifera, Historia da agricultura, Abelhas

Resumo

A história da apicultura no Brasil é marcada por três fases distintas, evoluindo de uma prática rudimentar para um setor agropecuário moderno e economicamente relevante. O marco inicial ocorreu em 1839, com a introdução da espécie Apis melífera pelo padre Antônio Carneiro, que trouxe as primeiras colônias de Portugal para o Rio de Janeiro, estabelecendo as bases da criação racional no país. Posteriormente, imigrantes europeus, especialmente alemães e italianos, introduziram outras raças para o Sul e o Sudeste, impulsionando a atividade. Nessa primeira fase, a apicultura era limitada, caracterizada por baixa produtividade e técnicas de manejo simples, sendo praticada principalmente em quintais. As abelhas europeias, menos agressivas, facilitavam a convivência, mas o desempenho produtivo ainda era considerado inferior ao de outros países, destacando a necessidade de avanços técnicos e adaptações às condições locais. A segunda fase da apicultura brasileira foi definida pela introdução das abelhas africanas (Apis mellifera scutellata) e seu subsequente processo de hibridização. Em 1956, o geneticista Warwick Estevam Kerr trouxe essas abelhas para o estado de São Paulo com objetivo de estudar seu potencial para aumentar a produtividade e a resistência das abelhas europeias já estabelecidas no país. No entanto, um acidente permitiu a fuga de 26 rainhas africanas, que se acasalaram com colônias de Apis melífera de origem europeia, resultando em um cruzamento natural que deu origem às abelhas africanizadas. Esse híbrido destacou-se por sua maior defensividade, elevada produtividade e melhor adaptação às condições climáticas tropicais. Apesar dessas vantagens, o comportamento agressivo das abelhas africanizadas gerou inicialmente resistência entre os apicultores, levando alguns a abandonar a atividade. Contudo, com o desenvolvimento de técnicas de manejo adequadas, essa raça tornou-se fundamental para o crescimento da apicultura nacional, consolidando-se como uma das mais eficientes em regiões de clima quente. A terceira fase da apicultura brasileira, iniciada a partir de 1970, representou um período de recuperação e significativa expansão do setor. Apicultores/as e pesquisadores/as dedicaram-se ao desenvolvimento de técnicas especializadas de manejo para as abelhas africanizadas, permitindo o aproveitamento de suas vantagens biológicas como alta produtividade, resistência a doenças e adaptação ao clima tropical, enquanto se mitigavam os desafios relacionados à sua defensividade. A adoção de equipamentos de proteção individual (EPIs), métodos de capturas de enxames e seleção genética de colônias menos agressivas, por exemplo, foram fundamentais nesse processo. Paralelamente, a organização dos produtores em associações e cooperativas impulsionou a profissionalização da atividade, facilitando o acesso a mercados e tecnologias. Como resultado, o Brasil consolidou-se como um dos principais atores globais na produção e exportação de mel e de outros derivados apícolas de alto valor agregado, como a própolis verde, cera e geleia real. Adicionalmente, dentre as regiões do país, o Nordeste merece destaque especial, pois suas condições climáticas favoráveis e flora diversificada, particularmente nos biomas Caatinga e Cerrado, proporcionam uma apicultura altamente produtiva e em expansão. Estados como Piauí, Bahia e Ceará lideram a produção regional, contribuindo significativamente para a posição competitiva do Brasil no cenário internacional. A abelha africanizada, outrora considerada um obstáculo, revelou-se, dessa forma, o principal alicerce da apicultura nacional, com o Nordeste emergindo como uma das regiões mais promissoras para o setor.  

Biografia do Autor

Aline Carla de Medeiros, GVAA - Grupo Verde de Agroecologia e Abelhas

Possui Licenciatura Plena em Biologia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, UVA/UNAVIDA, concluído em 2008; Curso de Especialização e Educação Ambiental pelas Faculdades Integradas de Patos (FIP), concluído no ano de 2011; Mestrado em Sistemas Agroindustriais, pela Universidade Federal de Campina Grande-UFCG/Pombal-PB, concluído em 2014, é Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos pela UFCG- Campina Grande/PB. Atua como pesquisadora junto ao CCTA/UFCG/GVAA- Grupo Verde de Agroecologia e Abelha-Pombal-PB (sob orientação dos professores: Prof. D. Sc. Patrício Borges Maracajá e a Prof. D. Sc. Líbia de Sousa Conrado Oliveira). 

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Publicado

2025-08-11

Como Citar

Gomes, N. B. M. R., Oliveira, M. do C. B. de, Santana, M. de F. S. de, Lima, R. da C. C., Almeida, R. R. de, Medeiros, A. C. de, … Maracaja, P. B. (2025). Aspectos históricos da apicultura no Brasil: do período colonial à contemporaneidade. Caderno Verde De Agroecologia E Desenvolvimento Sustentável, 14(3). Recuperado de https://www.gvaa.com.br/revista/index.php/CVADS/article/view/11544

Edição

Seção

XV Festival do Mel de Sao Jose dos Cordeiros (18,19 e 20 de Setembro de 2025)

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