Tecnociência e alimentação como história do artifício: do mundo da vida aos limites planetários
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbfh.v15i1.11935Palavras-chave:
Tecnociência, Alimentação, Artifício, Mundo da Vida, Limites PlanetáriosResumo
Este artigo analisa a crise da sustentabilidade alimentar sob a lente da Filosofia da Tecnologia, debatendo a dicotomia entre o artificial e o natural. Argumentamos, com base em Don Ihde, que a vida humana é inerentemente "tecnologicamente texturizada", refutando o mito de uma natureza pura. O estudo elucida como o processo Haber-Bosch evitou a profecia de Malthus ao sintetizar fertilizantes, sustentando a população moderna. Contudo, essa salvação tecnológica criou um paradoxo: impôs a tirania da padronização (o leito de Procusto) sobre os sistemas alimentares, gerando consequências não intencionais catastróficas, como a transgressão dos limites planetários e a perda de diversidade. A análise conclui que a solução não reside na abolição do artifício, mas na reorientação urgente da tecnociência, aproveitando a multiestabilidade para conciliar produtividade em larga escala com a resiliência ecológica.
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