O impacto da tocha da unidade na coesão nacional em Moçambique: um olhar sobre as manifestações pós-eleitorais
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbfh.v15i3.12367Palavras-chave:
Tocha da Unidade, Coesão Social, Manifestações pós-eleitoraisResumo
Este artigo discute o impacto simbólico da Tocha da Unidade na promoção da coesão social em Moçambique, com enfoque nas manifestações que ocorrem após os processos eleitorais. A Tocha da Unidade, instituída para promover a paz, o patriotismo e a reconciliação nacional, percorre o território moçambicano em momentos de crise, transmitindo mensagens de solidariedade, coesão social e de unidade nacional. No entanto, sua eficácia tem sido questionada em momentos de instabilidade política, como nos períodos pós-eleitorais, marcados por protestos, denúncias de fraude e crescente polarização entre os cidadãos. O estudo revelou que, apesar do valor simbólico da tocha, muitos moçambicanos percebem-na como um mero simbolismo, sem conexão directa com as suas realidades sociopolíticas. As manifestações pós-eleitorais de 2024/2025, demonstram uma desconfiança generalizada nas instituições e essa percepção reduziu de alguma forma a credibilidade da tocha enquanto instrumento simbólico de unidade. Os resultados mostram que, para que a tocha cumpra o seu propósito, é necessário alinhar o simbolismo com acções concretas que promovam inclusão, justiça social e participação democrática efectiva de todos os moçambicanos. Conclui-se que o impacto da Tocha da Unidade depende da capacidade das instituições políticas e do compromisso do Estado de coesão social na escuta activa e na satisfação das necessidades da colectividade. Sem isso, o símbolo corre o risco de se tornar vazio, perdendo sua função integradora. Assim, recomenda-se que a tocha seja acompanhada por reformas institucionais, investimentos em educação cívica e maior envolvimento comunitário, de modo a fortalecer a coesão social e política, em contextos de pós-conflito e desafios democráticos.
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