Viabilidade e possíveis impactos de gestão pública na implantação de farmácia viva e utilização de plantas medicinais pelo SUS
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbdgp.v14i1.12055Abstract
Este estudo analisou a viabilidade da implantação do programa Farmácia Viva no município de São Domingos/PB e seus potenciais impactos na promoção da saúde e na racionalização dos gastos públicos com medicamentos. A pesquisa adotou abordagem quali-quantitativa, com revisão integrativa da literatura, análise documental de dados de dispensação farmacêutica municipal entre 2020 e 2025 e entrevista de campo com 335 participantes da atenção primária. Os dados financeiros evidenciaram crescimento dos gastos com medicamentos alopáticos, com aumento aproximado de 69,1% no período analisado, sendo identificadas 54 medicações passíveis de substituição ou complementação fitoterápica, das quais 15 concentraram 76,43% do valor total gasto nesse grupo terapêutico. A investigação populacional demonstrou amplo uso de plantas medicinais (86,3%), forte transmissão intergeracional do conhecimento e elevada confiança na fitoterapia, embora com baixa orientação por profissionais de saúde. Observou-se ainda alta aceitação da oferta de fitoterápicos pelo SUS e disposição majoritária de substituição de medicamentos industrializados mediante indicação técnica. As espécies mais citadas apresentaram elevada convergência com listas oficiais de interesse sanitário, reforçando a viabilidade institucional. Conclui-se que a implantação da Farmácia Viva no município é tecnicamente e socialmente viável, com potencial para fortalecer a atenção primária, promover o uso racional de medicamentos, valorizar saberes tradicionais e contribuir para a sustentabilidade econômica e agroindustrial local.
