Mineração de criptomoedas como prática sociotécnica: comunidades, governança e dinâmica de validação distribuída
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbdgp.v14i2.12113Resumo
Hodiernamente, a materialização das criptomoedas trouxe à tona formas inéditas de registrar e validar transações em ambientes digitais, movendo a confiança de estruturas centralizadas para arranjos distribuídos sustentados por código e participação coletiva. Nesse diapasão, a mineração é um elemento indispensável para o funcionamento dessas redes, na medida em que organiza transações, assegura a integridade do registro e permite a continuidade do sistema. Ainda assim, sua compreensão não pode se limitar à dimensão técnica, pois a atividade se desenvolve em meio a comunidades, disputas por capacidade computacional, estratégias econômicas e processos informais de coordenação. Tendo em vista essa perspectiva, o artigo busca analisar a mineração de criptomoedas como prática sociotécnica, considerando, por um espectro, seus fundamentos conceituais e operacionais e, por outra visão, as formas de organização dos participantes e os mecanismos de governança que sustentam a validação distribuída. Para tanto, a pesquisa adota abordagem qualitativa, com caráter exploratório e explicativo, orientada pelo método dedutivo. Bem como, recorre-se à pesquisa bibliográfica e documental, com base em doutrina abalizada, estudos técnicos e produções acadêmicas que tratam da mineração, dos mecanismos de consenso, da formação de pools e das dinâmicas de descentralização e coordenação em redes blockchain. Ao longo do trabalho, fica claro que a mineração ultrapassa a ideia de simples geração de ativos digitais, funcionando como processo de ordenação e estabilização do sistema. Também, é possível observar que as comunidades de mineração se estruturam de forma heterogênea, coadunando cooperação e concorrência em um ambiente caracterizado por desigualdade de recursos e crescente especialização. No plano da governança, verifica-se que a ausência de um centro decisório não elimina a necessidade de coordenação, entretanto, a redistribui entre protocolo, infraestrutura e adesão dos participantes.
