Corrupção Sistêmica e a Desestabilização da Autopoiese: Um Diálogo entre a Teoria de Niklas Luhmann e os Desafios das Sociedades Periféricas
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbfh.v14i2.11361Palavras-chave:
Teoria dos Sistemas; Corrupção sistêmica; Hibridização de lógicas; Acoplamento estrutural; Reformas estruturais.Resumo
Em um contexto de crescente complexidade social, a Teoria dos Sistemas de Niklas Luhmann oferece uma lente para analisar como subsistemas (direito, política, economia) operam de forma autônoma e autorreferencial. Este artigo investiga a corrupção sistêmica como fenômeno estrutural, que transcende condutas individuais e corrompe a diferenciação funcional entre sistemas, especialmente em sociedades periféricas como a brasileira. O problema central reside na contradição entre a autonomia sistêmica proposta por Luhmann — sustentada por códigos binários (ex.: lícito/ilícito) e fechamento operacional — e a realidade de países onde a hibridização de lógicas (políticas, econômicas) desestabiliza essa autonomia, gerando alopoiese e crises institucionais. A problemática desdobra-se na tensão entre a teoria, que pressupõe sistemas autopoiéticos capazes de reduzir complexidade, e a prática, onde a corrupção sistêmica fragiliza mecanismos como o acoplamento estrutural, permitindo a colonização de um sistema por outro. Metodologicamente, realizou-se uma revisão bibliográfica qualitativa, articulando obras de Luhmann, críticos como Marcelo Neves, e estudos empíricos sobre corrupção no Brasil. Conclui-se que a superação da corrupção exige reformas estruturais que reforcem a diferenciação funcional, limitando interferências predatórias entre sistemas. Isso implica fortalecer instituições (ex.: Judiciário) para preservar seu fechamento operacional, sem negligenciar abertura cognitiva a irritações ambientais. A corrupção, assim, revela-se não como falha moral, mas como sintoma de falhas na organização sistêmica, demandando soluções que equilibrem autonomia e adaptação.
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