Parasitismo e Existência: reflexões sobre a vida, a alteridade e a dependência biológica
DOI:
https://doi.org/10.18378/rbfh.v14i4.11688Palabras clave:
Filosofia da biologia;ecossistemoas; biopoliticas.Resumen
O presente estudo busca analisar as reflexões filosóficas sobre o parasitismo no contexto da medicina veterinária, considerando a complexidade da vida, a alteridade e a dependência biológica. A pesquisa está vinculada à Filosofia da Biologia e à Ética Animal, e justifica-se pela necessidade de aprofundar o debate sobre a inter-relação entre espécies, ultrapassando aspectos puramente biológicos para incluir dimensões existenciais e éticas. A medicina veterinária, ao lidar constantemente com vida, morte, saúde e doença, encontra no parasitismo um campo privilegiado para reflexão filosófica. O parasitismo configura relação interespecífica, na qual o parasita vive às custas do hospedeiro, impactando fisiologia, comportamento e identidade. A interação desafia a noção de autonomia e individualidade, sugerindo uma existência integrada e interdependente. A dependência biológica demonstra que a autonomia não deve ser entendida como independência absoluta, mas como capacidade de adaptação e negociação frente às exigências ambientais. Filosofias do cuidado mostram que vulnerabilidade e interdependência são constitutivas da vida. Políticas de saúde e bem-estar animal reforçam que práticas éticas e responsáveis devem considerar essa rede de relações, ampliando o horizonte da bioética e desafiando perspectivas antropocêntricas. No controle parasitário, decisões técnicas envolvem questões éticas e biopolíticas. O uso indiscriminado de antiparasitários gera resistência, impactos ambientais e riscos à saúde pública. A ética veterinária orienta intervenções responsáveis, promovendo equilíbrio entre saúde animal, sustentabilidade e respeito à vida. A aplicação de métodos alternativos, como controle biológico e fitoterapia, exemplifica práticas éticas, sustentáveis e integradas aos ecossistemas. A biopolítica se manifesta na regulamentação e manejo de populações animais, incluindo eutanásias profiláticas e fiscalização de medicamentos. O veterinário atua como mediador entre ciência, políticas públicas e ética, enfrentando dilemas complexos que exigem reflexão filosófica sobre consequências sociais, ambientais e animais. A educação de tutores é essencial para práticas preventivas, garantindo o cuidado responsável e a saúde única. O controle parasitário deve ser visto como espaço de negociação ética, que exige decisões fundamentadas, contextualizadas e conscientes. A interdisciplinaridade entre Filosofia da Biologia, Ética Animal e medicina veterinária amplia a compreensão sobre alteridade, autonomia e interdependência, oferecendo visão holística da vida e da responsabilidade humana. Em síntese, o estudo evidencia que a prática veterinária transcende técnicas clínicas, devendo integrar reflexão ética, cuidado com o bem-estar animal e sustentabilidade ambiental. O parasitismo, analisado filosoficamente, revela-se oportunidade para reflexão crítica e construção de práticas clínicas mais conscientes, humanas e ambientalmente responsáveis, reforçando a necessidade de ética sólida, interdependência respeitada e promoção da saúde em múltiplas dimensões.
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