Sustentabilidade como campo de disputa simbólica: produção de sentido, poder organizacional e legitimação das práticas ambientais

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.18378/rbfh.v14i4.11784

Palabras clave:

Governança ambiental; Esfera pública; Responsabilidade corporativa; Reputação; Greenwashing.

Resumen

O presente artigo parte da ideia de que a sustentabilidade passou a funcionar como um tipo de sinal de confiabilidade usado por empresas e instituições para conquistar aceitação pública. Hoje, práticas ambientais são avaliadas também por como são comunicadas, explicadas e verificadas diante do olhar social. Nesse âmago, o objetivo do estudo foi entender em que condições a sustentabilidade se transforma em fonte de legitimidade, capaz de gerar reputação positiva e efeitos concretos, mesmo antes de mudanças materiais comprovadas. Para tanto, a pesquisa utilizou abordagem qualitativa, com revisão bibliográfica e análise documental. Foram usados estudos recentes publicados entre 2018 e 2025, além de autores clássicos que ajudam a explicar como esse processo se formou ao longo do tempo. Os principais achados mostram que práticas ambientais ganham credibilidade quando há coerência entre o que é prometido e o que pode ser verificado. Métricas, certificações, ratings e auditorias funcionam como provas públicas e ajudam a reduzir dúvidas sobre o compromisso ambiental das organizações. Ao mesmo tempo, a divergência entre metodologias e a possibilidade de maquiagem reputacional mantêm riscos de manipulação simbólica. Logo, conclui-se que a legitimidade ambiental depende menos do simples cumprimento de regras e mais da confiança construída perante o público.

Citas

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Publicado

2025-11-14

Cómo citar

Souza, F. P. L. de, Melo, J. M. de S., Nascimento, M. L. G. A. do, Simões, D. R., Queiroz, J. P. B. de, Rodriguez, J. A. A., … Mendes, M. V. (2025). Sustentabilidade como campo de disputa simbólica: produção de sentido, poder organizacional e legitimação das práticas ambientais. Revista Brasileira De Filosofia E História, 14(4), 2010–2017. https://doi.org/10.18378/rbfh.v14i4.11784

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